Olá! Quanto tempo?!
Pois então, após um 2008 agitado pela viagem ao país neozelandês, como vcs podem conferir nos posts anteriores; 2009 com o final da graduação em Jornalismo e um 10 na monografia; um 2010 atrás de empregos, freelas o que aparecesse na área; neste tempo surgiram alguns trabalhos que exigiram criatividade na escrita. Puxei os conhecimentos acadêmicos, leituras, genética e algo mais para tentar produzir um material de reportagem satisfatório.
Com a ideia de compartilhar alguns textos, resolvi reativar o blog.
Neste primeiro post, vou deixá-los com uma matéria que produzi para uma revista de esportes de Porto Alegre, mas que acabou não sendo lançada. O texto ficou na gaveta. Ele trata do “peneirão” de jogadores das categorias de base do Inter-SM. Segue a reportagem e fotos, por este que vos escreve:
Do sonho ao campo, a seleção de futuros craques
Nos anos 90 a banda mineira Skank lançou a trilha sonora de muitos garotos do Brasil ao cantar no refrão “quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”. Esse sonho ainda grita como uma torcida na vida de muitos meninos que correm e driblam por uma chance de futuro profissional no esporte. São centenas de rostos – e pés com chuteiras – ansiosos para entrarem no campo e mostrarem o que sabem fazer com a bola dentro das quatro linhas. Em equipe, jogam com vigor e vontade de “mostrar jogo” com a raça que aprenderam na rua, no campinho perto de casa ou no time amador de que participam.
Essa cena aconteceu em abril, durante os dias 23 e 24, num “peneirão” no Estádio Presidente Vargas, em Santa Maria. A seleção para as categorias de base do Inter-SM atraiu jovens de 14 a 17 anos das mais variadas classes sociais. Em busca do profissionalismo no futebol, a maioria sonha um dia poder jogar ao lado de estrelas. E, por que não, ser mais um brasileiro nos times europeus. Dos 700 garotos inscritos, 60 passaram nos critérios do técnico André Basques, 41 anos, ex-jogador de futebol e que há sete anos está envolvido na comissão técnica do Inter-SM.
Um retrato dos sonhadores em busca da vaga
Sem a mãe saber que ele estava participando de um “peneirão”, Douglas Barbosa Gomes, 17 anos, foi ao estádio mostrar o talento de zagueiro. Despretensioso, pois em outras ocasiões se preparou e a ansiedade não deixou o futebol fluir, Douglas mostrou por que tem “as chaves do cadeado”. Com as emoções mais tranquilas e com um visual à la Vagner Love, agradou dentro do campo e foi selecionado. Caracteriza seu estilo de jogo mais pegado e com a raça de um comandante da área. Apesar de zagueiro, Douglas é fã de Didier Drogba, atacante do Chelsea e sonha um dia poder jogar na mesma equipe. “Bah! Eu vejo ele jogar e me dá muita vontade de jogar futebol. Quando eu nasci, meu vô era jogador e hoje ele tem um time amador na cidade, então cresci com o futebol na família”.
Aos 14 anos, Douglas participou do primeiro torneio com o time amador Pozzobom, da Vila Maringá de Santa Maria e, a partir daí, percebeu que futebol só não estava no sangue, mas, também, no sonho profissional de sua vida. Aos 16, mudou-se para Porto Alegre para tentar o início da carreira no time do coração, Grêmio Football Portoalegrense. Apesar de não ter tido o sucesso que esperava na capital, não desistiu do sonho e voltou a Santa Maria. “Agora que estou selecionado prometo não deixar um jogador passar pela minha zaga, se depender de mim!”. Além do futebol, Douglas curte e dança Hip Hop e garante que isso ajuda com a flexibilidade no campo. Mas, como a maioria dos jogadores, é um fã de pagode!
Da zaga, vamos ao guardião das redes. Hiago da Silva, 16 anos, já defendeu a equipe de Estância Velha no gaúchão sub-17 e, além disso, lutava judô… “O goleiro é um homem de elástico…”. Desde os 8 anos acompanha – e lá aprendeu a jogar – o time amador da Vila Lídia, Esporte Clube Ituano, equipe em que participa hoje. Mas sonha com a carreira profissional. Discurso de um ele já tem, pois quando perguntado sobre seu estilo de jogar futebol… “costumo motivar a equipe a dar o melhor de si. Quando entro em campo busco meu objetivo que é uma vitória, sou esforçado. Sempre respeitando o adversário.”
Ele define o “peneirão” como uma grande possibilidade e uma iniciativa interessante do Inter-SM aos garotos que querem seguir na carreira do futebol. Para ser selecionado, Hiago comenta que treinou o físico nas “peladas” junto dos amigos e, como já passou por campeonatos, soube manter a cabeça tranquila. No futuro sonha em jogar no Milan, pois… “para Deus nada é impossível. Tem que acreditar.” E, adivinha o estilo musical preferido do cara?! Sem contar que ele até já foi mestre de bateria…
O “peneirão”, o professor e o futuro
Com rigor na disciplina, o técnico André Basques e o preparador físico Daniel Miron pretendem treinar uma equipe de competição para as categorias de base do Inter-SM. A decisão de selecionar pode frustrar alguns garotos não escolhidos nos critérios. “Mas não existe reprovação, na minha opinião. Existe o atleta que naquele momento não cai no perfil do que foi traçado para a equipe”, comenta André que tem a consciência de que muitos não selecionados podem se tornar craques no futuro. “Exemplo é o Liedson. Ele foi reprovado em um dos ‘peneirões’. Mas em outro momento jogou pelo Inter-SM, outros clubes profissionais do Brasil e hoje joga no Sporting Lisboa, em Portugal”.
Hoje, o trabalho nas categorias de base é necessário nos clubes de futebol, pois serve como um laboratório. São treinados o potencial de cada jogador, a preparação física, tática e as técnicas dentro de campo. “É preciso que o técnico do time profissional esteja de olho nas categorias de base do clube. No São Paulo, por exemplo, no mínimo três jogadores do profissional vão ser vendidos, então o técnico já está de olho nos mais novos.”
No interior do Estado gaúcho, a parcela de jogadores que se tornam profissionais é mínima, segundo André, pois a qualidade de trabalho, a do jogador e a financeira é baixa. “Estamos lutando para que daqui 5 anos possamos ver os jogadores que cresceram e vão crescer profissionalmente e tenham uma carreira, essa é a intenção do ‘peneirão’”. Por não ser um time da capital como o Grêmio e Internacional, resta trabalho árduo e esmero do clube de Santa Maria. “Nós da equipe técnica somos ‘vendedores de ideias’: o jogador vai querer comprar nosso método e prática ou ele não vai servir para o crescimento do grupo”, completa Daniel Miron.
No Brasil, apenas 4% dos jogadores profissionais recebem mais de dois salários mínimos, segundo André. Com os pés no chão, o técnico, que já fez estágio com Mano Menezes, admira o trabalho de Muricy Ramalho e se considera “longe de ser um paizão”, tenta manter os jogadores dentro da realidade, apesar de não podar os sonhos dos garotos. A maioria quer ser o que vê na televisão: Kaká, Cristiano Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, por exemplo. “Às vezes eles esquecem que existe uma estrada de muito trabalho. Muitos deles carregam esse sonho até como uma maneira de dar melhores condições de vida para a família, e isso tem que ser respeitado.”
“A chuteira veste o pé descalço
O tapete da realeza é verde
Olhando para bola eu vejo o sol
Está rolando agora, é uma partida de futebol
(…)
Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”
(Skank – É Uma Partida de Futebol”)






16/02/2011 às 14:39 |
Muito bom ter revivido seu blog. Pode contar comigo nos comentários. Sobre o texto, pegaste um viés muito interessante sobre essa paixão brasileira!
Grande abraço!