O laçador mirim

Para continuar com a série de reportagens (mas não temática, e sim produzida por este que vos escreve), o novo post traz outra matéria que seria produzida para a revista de esportes da capital gaúcha que acabou não sendo lançada, no ano passado. Essa reportagem, produzida em meados de maio/junho de 2010 e que também ficou na gaveta, foi sobre um garoto com o talento de laçar. Ele já acumula prêmios que foram conquistados em rodeios e competições campeiras. Conheça um pouco mais desse gaúcho de Tupanciretã.

Do quintal aos rodeios: com vocês, o laçador de Tupã!

Laçar galinhas da avó na chácara pode tornar um garoto de dois anos um verdadeiro laçador? E quando esse piá, com quatro anos, já ganha troféus com a mira? Assim, Angelito Hernandez, hoje com 11 anos e sete deles como um dos melhores laçadores do Estado, inicia a carreira. Do pátio onde ficava o galinheiro para as provas de laço em rodeios foi uma gineteada rápida.

Nascido em Tupanciretã, na região central do Rio Grande do Sul, convive com o tradicionalismo gaúcho, tanto é que não larga o laço nem mesmo dentro de casa. A genética não falha, filho de laçador…  E mais! O pai, Carlos Hernandes, é “patrão” da Campeira (Invernada Campeira e rodeios) do CTG Tapera Velha. “É de geração em geração! O avô do Angelito, meu pai, era laçador também!”, diz Hernandez.

Na casa com decorações típicas de quem segue a tradição gaúcha, Angelito coleciona dezenas de troféus ganhos em competições e rodeios. O último foi neste ano, em Caxias dos Sul, na Festa Campeira do Rio Grande do Sul (FECARS). Selecionado entre 500 homens, em Tupã, 9ª Região Tradicionalista, “ele foi o primeiro menino abaixo de 10 anos a ser classificado com os adultos”, comenta a mãe Deise Hernandez.

Com mais de 30 títulos, entre eles o bi-campeonato estadual, o guri também é dono do segundo lugar no recorde nacional infantil de laço em vaca parada: nada menos que 156 laçadas seguidas sem errar, aos 9 anos, em Santo Augusto na FECARS – festa que reúne as 30 regiões do estado.

Falar em “vaca parada”, essa é a modalidade em que Angelito iniciou a carreira vitoriosa – depois de aprender com as galinhas, claro. Consiste em laçar um cavalete de quatro “patas” e um par de chifres na ponta como alvo para o laço. Em Gravataí ganhou o primeiro troféu, sendo campeão aos 4 anos. Com o tempo e muito treino, treinado pelo pai, montou em cavalos para laçar bois nos rodeios.

Além do Laço, Angelito também pratica outro esporte campeiro, o Pealo. Neste não compete, apenas pratica o laço nas duas patas do boi ou terneiro, e derruba o animal.

Mas a habilidade com as mãos também é usada para defender as redes. O guri, colorado de carteirinha, é goleiro e participa de campeonatos sub-12 – para variar, já coleciona medalhas. É a principal atividade que envolve os amigos, pois o laço é habilidade exclusiva do pequeno Hernandes. “Até ensino meus amigos e meus primos, alguns tão aprendendo. E vídeo game jogo bem pouco. Tenho um Playstation, mas é de vez em quando que brinco.”

Para o futuro, o incentivo da família é grande para que ele estude. “Ele treina laço no CTG só aos fins de semana. Durante a semana ele tem de ir bem no colégio”, acrescenta Deise, mãe de um provável futuro médico. “Tenho o sonho de continuar laçando e ser médico”, completa Angelito, mas a avó acrescenta: “quando era pequeno, ele falava que queria ser médico de gente ou de vaca!”

Texto e Fotos: Nícholas Fonseca

 

Uma resposta para “O laçador mirim”

  1. alexander borba Disse:

    mas o guri parece uma menina tche.

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