No jornal A Folha Santiago, no qual colaboro com reportagens atualmente, começamos uma série de perfis das “Caras do Rádio Santiaguense”. O primeiro convidado é das vozes mais ouvidas na cidade, Jones Diniz. Trabalha na Rádio Santiago AM a mais de 2o anos, onde construiu sua carreira profissional e o prestígio do público. Confira abaixo a matéria.
Da brincadeira ao estúdio profissional: no ar, Jones Diniz
Por Nícholas Fonseca
Nesta edição do A Folha Santiago, começaremos uma série de perfis com as vozes do rádio da cidade. O primeiro convidado é Jones Diniz, ouvido diariamente no Jornal Falado da Rádio Santiago AM, entre outros programas.
O que o futuro pode trazer para um garoto que já trabalhara como vendedor de picolé na antiga Estação Férrea de Santiago, auxiliar de sapateiro, vendedor de pecúlios (que ninguém comprava, pois quem vendia era um “piá”), lavador de carros e datilógrafo de escritório? A realização de um sonho! Apesar de, principalmente, se imaginar como militar na infância e adolescência, Jones de Jesus Martins Diniz, hoje não mais um garoto, com quase 50 anos, é um dos radialistas e jornalistas mais lembrados de Santiago.
Cresceu na audiência do noticiário da Rádio Guaiba, o Correspondente Renner, junto de seu pai, na pacata cidade natal de Bossoroca. Ali, já crescia a curiosidade de conhecer mais sobre o veículo. Na adolescência, em Santiago, se inspirava nos locutores que adimirava e brincava de radialista com os amigos do bairro, com um velho gravador e uma caixa de som montada por um conhecido eletrecista. A primeira rádio que conhecera foi a que viria a trabalhar, a Rádio Santiago AM. Na época, havia programas de auditório aos domingos, abertos ao público, e Jones Diniz era presença certa.
Chegara a idade de servir o quartel. Um dos sonhos que se realizava. Mas, a paixão pelo rádio não abandonava. – Servi no 19º Grupo de Artilharia e Campanha e “brincávamos” de rádio no “boca larga”, o sistema de comunicação que se chama pessoas no quartel, com os altofalantes espalhados – completa Diniz. Com o auxilio de um comandante, surgiu a oportunidade de estágio na Rádio Santiago AM, como datiológrafo, após seis anos na vida militar. Batia na máquina de escrever e editava notícias – que seriam lidas no ar – dos jornais estaduais e informações que ouvia nas outras rádios de maior abrangência. Em pouco tempo, as portas se abriram na própria Rádio Santiago AM: fazia operação técnica de áudio; aos poucos, começara ir às ruas para produzir reportagens. – Eu saía com minha prancheta em busca de informações com as pessoas fora da rádio. Neste tempo, teve duas grandes fontes de informações que me ajudaram: Vulmar Silveira Leite, ex-prefeito de Santiago, e Gibelino Minuzi, ex-vereador e ex-vice-prefeito. A partir disso comecei a buscar livros e manuais para elaborar melhor as notícias – .
Enfim, NO AR!
Inspirado por nomes como Milton Ferreti Jung, da Rádio Guaíba, e Jaime Medeiros Pinto, ex-diretor e proprietário da Rádio Santiago AM, Diniz começara aos poucos a ir ao ar. “Quebrava um galho” nas tardes de domingo ao anunciar apenas a hora certa e o prefixo da rádio. Não demorou para assumir seus primeiros programas. Em meados de 1987, com o apoio do colega Nelson Abreu e Antônio Oliveira Júnior, entre outros, Diniz apresentava o programa Discorama, que rodava “as clássicas do passado”. Era o som da agulha nos LP’s de flashback soando nas ondas da AM santiaguense às tardes. Também, assumira o programa Variedades RS no qual era técnico de áudio. Lia o horóscopo, matérias de revistas e jornais. Esse mesmo programa, depois, se tornara o Ponto de Vista, que está no ar até hoje. É o espaço que pessoas convidadas “dão seu ponto de vista” sobre um assunto em pauta.
Fatos memoráveis na profissão
A primeira reportagem, a gente nunca esquece. A de Diniz foi sobre uma senhora com doença mental e era acorrentada pela família, senão fugia. O jornal A Razão foi fazer a reportagem no bairro Irmã Dulci, e ele foi convidado. – Fiquei chocado. Não sabia como iniciar a matéria –, lembra Diniz.
Mas houve uma reportagem que fizera o novato repórter “tremer na base”: – foi a primeira vez que entrevistei um governador, na época, era o Pedro Simon que veio para a inauguração do 5º Regimento de Polícia Montada. Me deu aquele branco, mas fluiu o assunto. Lembrei de matérias dos jornais sobre o governo –.
Existe uma entrevista que está guardada com carinho por Diniz. Foi quando entrevistara Os Trabapalhões em uma apresentação do grupo no Grêmio, em Santiago. Mais uma vez, a ansiedade tomou conta do repórter, mas a sorte é que os humoristas foram carismáticos. – O Dedé foi quem me confortou e convidou para sentar e disse: “Fica tranquilo. Senta aqui vamos conversar. Quer uma dica? Estamos gravando o filme Os Trapalhões no Auto da Compadecida” e o assunto desenrolou com ele, Mussum e Zacarias – recorda Diniz que, também, dasabafa em relação a alguns artistas. Segundo ele, há famosos que dificultam o acesso da imprensa. – Isso é ruim para o nosso trabalho. A gente sabe que sem a tv, o rádio, ou o jornal divulgarem, eles não seriam conhecidos. Uma vez um artista famoso que veio à cidade estava passando o som. Quando chegou o momento de falar com a imprensa, ele saiu por outra porta e deixou todos colegas da imprensa na mão. Ou não tem conteúdo ou tem algo a esconder –, comenta Diniz, do fato que marcara de uma forma negativa.
Uma história curiosa, ocorrera durante uma cobertura esportiva em São Borja. Segundo Diniz, ele “não entendia nada de futebol”! Apesar disso, foi escalado para ficar no estudio em Santiago, no plantão esportivo. – Falavam em quadrangular e eu nem sabia o que era. Em um determinado momento, quando o Nelson Abreu perguntou de lá de São Borja, no ar, como estava o tempo em Santiago, eu olhei pela janela e tinha um raio de sol entre as nuvens e falei no ar: “em Santiago o tempo está bom. Choveu mas o sol está brilhando”. Logo que disse isso, caiu um trovão que tirou a rádio do ar! E claro, recomeçou a chover!
O profissional
De acordo com Diniz, o rádio precisa ser mais dinâmico hoje, principalmente, após o advento da Internet. A instantaneidade é obrigação do rádio ou seja, informar na hora do fato. – Acima de tudo, o rádio deve ser imaginativo. Temos que ser atores no rádio para não caírmos na mesmisse. Gosto quando as pessoas dizem: Ah! Tu que é o Jones Diniz! Bah, mas me decepcionei! – (risos).
O compromisso com ouvinte é primordial, para o radialista, pois o veículo não é um simples o canal de música e, sim, entretenimento e informação. – As pessoas ligam pra rádio para saberem desde números de telefones, temperatura, previsão do tempo, até notícias importantes –, completa Diniz, que comenta sobre ser criticado, mas com conteúdo e sugestões que possam somar. – Não gosto de criticar só para atingir alguém. Quando me criticam devem me ensinar algo. Não só ouvintes, mas também os diretores da empresa – acrescenta Diniz, que trata a humildade como virtude no trabalho.
Resumo
Nome: Jones de Jesus Martins Diniz, 49 anos. Radialista e Jornalista. Autodidata e profissionalisado no curso de radialista da Fundação Educacional Padre Landell de Moura – FEPLAM –, em Porto Alegre.
Programas que apresenta na Rádio Santiago AM, frequência 1230 KHZ: de segunda à sexta, Olho Vivo, às 8h10min; Jornal Falado, às 12h15min (também aos sábados); Santiago Notícias, às 14h; aos sábados, Sábado Sertanejo às 16h e o Geração 2000, às 20h10min; no domingo, Ponto de Vista às 10h; www.radiosantiago.com.br
Também é o correspondente de Santiago para jornal A Razão, de Santa Maria, há mais de 15 anos.